Foi-me pedido que acrescenta-se um mail ao blog…algumas pessoas queriam compartilhar as suas opiniões mas não queriam que fossem publicas. Pois bem, já está:
poemassemrima@gmail.com
Aproveitem que estará sempre aberto às vossas palavras.
Boss
Foi-me pedido que acrescenta-se um mail ao blog…algumas pessoas queriam compartilhar as suas opiniões mas não queriam que fossem publicas. Pois bem, já está:
poemassemrima@gmail.com
Aproveitem que estará sempre aberto às vossas palavras.
Boss
O quarto é escuro e bolorento…
T está encostado junto a um sofá roto, deitado no chão a segurar uma folha de jornal rasgada… olha para a janela suja e fria, por onde a luz dos candeeiros cria sombras fugazes…levanta-se, vagarosamente e fecha a cortina rasgada…um pouco de claridade da lua ainda entra no quarto, iluminando uma pequena mesa com um telefone…
T senta-se,pesado, no sofá e pega no telefone…marca, lentamente, um número…
T: Tou…sou eu…queria ouvir a tua voz…
…
T: Eu sei…estou bem…não, não me esqueço de tomar os comprimidos…
…
T: Sinto-me só…tenho saudades tuas…quando chegas?
…
T: Não, não me esqueço de tomar os compridos…gosto de ouvir a tua voz de mel…
…
T: Sinto a falta do teu toque de veludo…queria tanto que estivesses aqui…
…
T: Queria que me afagasses o cabelo…passasses os dedos longos pelo meu rosto aspero…
…
T: Porque que demoras tanto? Não vens?
…
T: Não…não me esqueço dos comprimidos…trazes os miudos?
…
T: Gosto do barulho que fazem, da alegria que dão…
…
T: Olha, precisamos de falar mais…preciso de conselhos, da tua sabedoria…as pessoas, os idiotas, magoam-me, ferem-me, arranham-me…
…
T: É, dizem-me coisas impossíveis, só para serem más…queriam fazer-me mal…querem que seja infeliz…
…
T: Não, não me esqueço do tomar os comprimidos…as pessoas queriam que eu tomasse mais, mas eu não tomo…más…estúpidas…todas sem um pingo de amor…invejosas…
…
T: São estúpidas… não sei…quando vens para tomar conta de mim?
…
T: Preciso tanto de ti…do teu sorriso de cristal…não vens?
…
T: Sabes aquela foto tua na neve? Perdi-a…queimei-a…queimei todas…por causa das pessoas más e das coisas ignorantes e sem sentido que dizem…Teve de ser…não fiques chateada…anda…vem…
…
T: Mas tenho a tua foto e a dos miúdos aqui na minha mão…mas queria-vos aqui…a foto não chega…
…
T: Fotos também são ilusões…o teu toque é real…anda…anda ter comigo…acaba com a minha solidão…
…
T: Não, não me esqueço de tomar os comprimidos…estou cansado…espero por ti deitado, pode ser?
…
T: Fome…fome só de ti e do teu toque..anda…estou cansado…anda…
…
T: Volta para mim, meu amor…
T deixa cair o telefone e levanta-se, sonolento, embriagado, tosco, comatoso…caem os compridos ao chão e espalham-se pelo tapete sujo e poeirento…
T recolhe-se numa manta junto ao chão e adormece… da mão cai-lhe um recorte de jornal rasgado, com uma foto de uma rapariga e de duas crianças…o titulo, iluminado pelo luar…”Jovem e dois filhos morrem em trágico acidente de viação”…
O telefone, fora do descanso, repete, vez após vez… “após o sinal…serão duas horas e quarenta e três minutos…beep, beep…”
O papá boceja a ver mais um canal de desporto e lentamente levanta-se do sofá. Olha e vê a sua filha, Matilde, entretida a brincar com as bonecas, sentada à chinesinha num tapete de várias cores.
-Matilde, está na hora de ires dormir, diz o papá com um sorriso nos lábios.
-Mas papá…ainda não acabei…só mais um bocadinho, pede Matilde com os seus olhos de mimo.
-Já se passou um bocadinho e mais outro bocadinho…anda, eu levo-te para a caminha…dá um beijinho à mamã.
Matilde, com um beijinho e um abraço da mamã, corre para o quarto rosa, decorado com princesas e bonecos, onde os seus brinquedos fazem uma pirâmide num dos cantos. Senta-se na caminha e tira o pequeno robe.
O papá ajudou Matilde a entrar na cama e entregou-lhe a boneca preferida dela. Fez uma festinha e preparava-se para desligar a luz…
-Papá…lês-me a história?
-Uma história…bem, vamos lá ver…uma história…temos aqui…
-Não papá, não uma história…A História!
-Outra vez?! Queres ouvir esta história outra vez? Temos aqui tantas para ler…queres ouvir esta de certeza?
-Sim papá…a história…
-Ok, querida, vamos lá então outra vez.
Matilde sorri e aconchega-se mais com a sua boneca de trapos. O papá pega no livro, já dobrado e amassado de tantas leituras e começa:
-A Princesa Matilde e a Gotinha de Sonho. Era uma vez…
Senti saudades imensas de escrever… palavras deslizam no meu pensamento e sei que as devia escrever e entoar… sinto a falta da insanidade benéfica que é para mim transmitir emoções por palavras…terei de sair desta letargia…
Suspiro atrás de suspiro…

Partilho convosco mais um momento em que só posso ficar vaidoso e agradecido.
A Sophie Gaarder atribuiu-me o prémio “Dardos”.
Obrigado Sophie, e recomendo desde já o excepcional blog dela, o Mundos Paralelos. Fantástico blog, com uma visita mais do que obrigatória.
Abafas-me
Não vês que quanto mais me apertas mais eu te escapo pelos dedos…
Abafas-me
Não vês que já te dei tudo o que tinha …e agora já nada sou do que pequenos medos…
Abafas-me
Não vês que choro porque já não te sinto e apenas sou lágrimas que fluem sem rumo…
Abafas-me
Não vês que só me tocas porque sabes que me perdeste e que estou etéreo como fumo…
Abafas-me
Não vês que nós já não somos nós…eu sou apenas um pouco de eu e tu és muito de ti… tiras-me da alma a cor…
Abafas-me
Não vês que o amor assim não é amor… apenas é silêncio e dor…
Abafas-me
Não vês que mais nada sou e apenas um triste vácuo fiquei….
Abafas-me
Não vês que já parti e que tudo… mas tudo… te dei…
Caro amigos, serve este post não para apresentar um novo texto, mas sim para vos levar ao conhecimento de que fui um dos escolhidos para uma antologia de poemas, com o poema “Sonhei contigo outra vez”. O mail que recebi foi este:
“Boa tarde,
Já estão escolhidos os autores e poemas que farão parte do “Maço de Poemas:WAF 2008”.
Chegaram-nos mais de 200 poemas de cerca de 80 autores.
Foram decisões difíceis dada a quantidade e qualidade dos textos submetidos.
Parabéns porque foi seleccionado para integrar o “Livro”.
O lançamento do “Maço” será no dia 6 de Dezembro de 2008, pelas 22H, no Real Feytoria, no Porto.
“
É com bastante alegria que integro esta selecção de poetas e estendo um grande obrigado ao World Art Friends e ao meu amigo Ex-Ricardo dePinho Teixeira. E já agora um grande obrigado aos meus amigos leitores, que me têm apoiado nestes devaneios literários.

Ela: Estou…
Ele: Preciso de ti esta noite…
Ela: …
Ele: Porque hoje já não vou dormir…
Ela: mas…
Ele: Quando penso em ti…
Ela: …
Ele: começo a suar…dás-me febre…
Ela: mmm…
Ele: Sinto-me sozinho, preciso de ti…
Ela: …
Ele: tu sabes que sim…anda…
Ela: não sei…
Ele: Somos iguais, sinto-te quente…
Ela: …
Ele: Desliza até aqui… sabes o caminho…
Ela: mas…
Ele: anda dividir o momento, acalmar o calor…
Ela: não sei…
Ele: Eu já não durmo e tu também não… iguais, tu e eu…
Ela: será…
Ele: O momento é nosso… espero-te aqui…quente…
Ela: quente…
Ele: Preciso dos teus toques lânguidos…
Ela: mmm…
Ele: dos teus movimentos lascivos e esguios…liberta-me…
Ela: hummm…
Ele: Quero-te esta noite…
Ela: …sim…
…
clic!
A luz dos candeeiros continuava a fazer sobras esquisitas que me fazia estar atento, mesmo quando só pensava nos gajos… Cabrões os dois, era juntá-los e foder-lhes a boca. Aquele Pipo só me leva pra asneirada. Boi de merda, palmou um telemóvel na mudança que fizemos a semana passada mas fui eu a bater com os costados na esquadra a aturar o boi do Sargento Pires. Teve sorte de eu não o bufar, isso é que foi. Não é que merecesse, pois o cabrão já me tinha denunciado quando gamamos um audi para ir às meninas na barragem. Tive sorte foi que nunca me acusaram. Paneleiro.
Desviei-me de uns caixotes do lixo, destes novos, pra reciclar ou sei lá o quê. Reparo que um dos caixotes, o azul, é mais pequeno que os outros, e tem marcas de queimado no chão. Devem ter pegado fogo ao anterior que ficava naquele lugar. O do lado, o verde, que serve para por as minis e outras cenas de vidro estava meio torto e derreado. Pensei para mim nesta juventude rasca e estes putos só fazem merda…acabam-lhes as pilhas às consolas e vêm para a rua da cabo de tudo…
Lembrei das putas de à bocado e fiquei excitado. Se calhar era mais bem gasto o dinheiro com elas, embora parecessem ja acabaditas e enrugadas. Davam menos trabalho que engatar uma chavala. E era mais rápido. Ia-mos para a Pensão São Teutónio e estava feito. Truz, truz catrapuz. Cinco euros para pensão, que é fixe e limpa, deve ser por ter nome de santo e o dono ser um gayzola de primeira. Trinta euritos pra gaja e lá esvaziava o cofre e saia satisfeito. É uma ideia, mas prefiro o engate.
Não que me fique mais barato…mas na caça é que está o ganho. Primeiro a gaja vai estranhar e olhar para mim de lado a pensar “o que é que este cromo quer?”, mas mais uns copos e uma letrazita e a chavala vai estar na minha. Pode ser que tenha carro e assim escuso de perder tempo a tentar ir para casa dela ou de a ir comer para a praia. Tenho de pensar num plano ou uma historita pra lhes dar a volta e elas pensarem que sou um finório cheio de nota e me queiram levar pro saco. Acho que vou ser estudante de medicina que esta a pensar sair do curso para ir um ano pros states para ver se me encontro. Caem sempre nesta.
Começa a chuviscar e ainda estou longe da ribeira. Se piorar ainda chego lá pior que um pinto. Faço contas e acho que posso apanhar um taxizito que ainda me sobram uns cobres…
Parece-me uma eternidade desde que escrevi neste blog… já usei as desculpas todas… falta de tempo, um bloqueio, falta de vontade, cansaço, preguiça…
A todos os que visitam na busca de uma novidade, as minhas desculpas… tentarei brevemente partilhar algo convosco.
Afinal, escrever para mim é um prazer, um escape, uma entrada noutra dimensão… e sou sincero…já não o faço há algum tempo…
Pode ser que este seja o mote…
Ao que ainda não desistiram, obrigado.