Não me digas

Não digas que me queres
Não digas que me necessitas
Não digas que me sentes
Não digas que me amas
Não digas… eu sei

Eu tenho tempo
todo o tempo do mundo
para te trazer para mim
O destino traçou-nos
E os Deuses assim o querem

Não digas que estás bem sem mim
Não digas que és feliz aí
Não digas que agora estás melhor
Não digas que não me necessitas
Não digas…eu sei

Estarás perto de mim
Porque ficou escrito no céu
Porque fugir não é opção
E esconderes é um vazio

Não me digas que esperas
Não me digas que sabes os sinais
Não me digas que corres para mim
Não me digas que os teus olhos são meus
não digas…eu sei

eu tenho todo o tempo do mundo
para te fazer minha
e sermos uma gota só
um chuvisco fresco
e digo-te…tu sabes

Dia Cinzento

Sinto-me num dia sozinho,
cinzento e amargo
O dia mais sozinho de sempre

Sinto-me num dia sozinho
o dia mais só da minha vida
Sem brisa morna a tocares-me

Este dia de ser sozinho
nem devia existir
se pudesse apagava-o
de mim

Mas é meu o dia
o dia mais sozinho de sempre
e sem ti para te contar

Se não estás
é porque te foste
Se te foste
é porque já não és

No dia mais sozinho de sempre
não sei se sobreviverei
sem ti

A Lua vai nanar

Num céu de veludo que existia
num sitio um pouco distante
uma lua rosa pequenina e luzidia
brincava tanto, muito e bastante

 

A lua rosa brincava com o mar
e dançava com as estrelas cadentes
saltitava a cantarolar pelo ar
sobre os montes floridos e contentes

Iluminava os namorados
a trocar beijos escondidos
sussurrava aos cansados
que dormiam descontraídos

Mas o grande irmão Sol
já no fim da noitinha
veio em passo de caracol
mandar a lua rosa para a caminha

“Não que nanah!”, disse a luazinha,
já cansada e a bocejar
“Tem de ser, irmãzinha,
agora sou eu a brincar”

E juntando as nuvens bem rosadinhas
numa caminha fofa de algodão
lá deitou o Sol a maninha
com um beijinho, uma história e um xi-coração.

Caminhar

Os dias felizes fogem, num correr fugaz e colorido
Mesmo quando estou em ti, não sei se somos nós
Para onde fugiu o romance perdido?
Por onde devo procurar a nossa voz?

Quando estamos juntos, nunca me ouves…
Quando estamos juntos, nunca me salvas…
Quando estamos juntos, nunca me sentes…
Quando estamos juntos, nunca me amas…

Como conseguirei caminhar sem ti?

Estamos tão longe quando estamos perto
Estamos vivos mas o nosso amor morreu
Só queria desaparecer no seco deserto
Recordar um amor que já não é meu

Quando estamos juntos, não somos nada…
Quando estamos juntos, não somos os dois…
Quando estamos juntos, não somos madrugada…
Quando estamos juntos, não somos corações…

Como conseguirei caminhar sem ti?

De joelhos no chão frio, sem apego ao romance
Sonho com os dias que já foram nossos
Numa existência translúcida vivida em transe
Sinto um frio, desejo errante nos ossos

Caminhar sem ti…
 não…
Caminhar para ti…

Levantar-te nos meus braços, rodopiarmos no céu estrelado
Fazer de ti a minha musa, ter-te sempre ao meu lado
Escrever-te numa ode à beleza, pintar-te nua numa nuvem presa
Levar-te ao céu e cantar-te alto um poema…a ti, minha princesa…

E lembrar-te que juntos, somos mel
E lembrar-te que juntos, somos carrossel
E lembrar-te que juntos, somos romance
E lembrar-te que juntos, temos tudo ao alcance…

E caminhar contigo…

Ódio

J. senta-se na mesa, puxando a cadeira gasta pelo soalho sujo…à sua frente, folhas de papel e um lápis mal afiado, roído dos nervos.
J. pega no lápis, olha para a ponta e, a tremer, começa a escrever…

O teu nome em mim ficou gravado
Sem nunca ver a tua face verdadeira
Rasgar-te esse sorriso perverso e imoral
Destruir o teu rosto cruel, e afogar-te no teu fel
És uma falsidade que o mundo não vê, e eu não consigo afastar-te

Vejo o pecado no que dizes, provocando a dor e amargura
E não sei rezar a Deus por ti, nada de amável me sai
Não me acredito que já foste inocente, e agora cresceste nisto
Não me acredito que já foste comum, e num demónio te tornaste

És podre e eu sei que sabes que és
És podre e eu sei que sentes o teu sorriso a matar
És podre e queria por-te um fim
És podre e em mim ficou o teu nome gravado

Espero que no inferno haja um lugar para ti
Ardas, sofras e nada mais possas amar
Os pecados que fizeste te sejam retornados
E por fim chores o que chorar fizeste aos amados

Os teus olhos já não tem luz, e só brilham no egoísmo
O teu tempo já passou e nada te leva
Para parares de apodrecer o mundo
Para finalmente nos deixares em paz

E quando olhas para ti, não vês o mesmo que eu vejo?
Porque, oh, porque, não paras de olhar para mim…

J. pousou o lápis, quase sem bico…levantou os olhos para o espelho partido e baixou a cabeça…

Miss You…

Fomos na noite um rodopio de luz

dançando na escuridão iluminada pelo desejo

éramos sombras, fugazes, longas, transparentes,

juntos reinamos na fuga à noite eterna…

Éramos noite de luar que não terminava

um eterno lusco-fusco de prazeres malditos

um jorrar de sorrisos cúmplices e sinceros

numa correria etérea pelas nossas ruas sombrias

Mas tu partiste…

Miss you…

Agora és apenas uma voz quente nos meus sonhos

que chora, que grita, que clama, que ama…

uma voz que me mata, que me afasta, que me domina…

és a voz que me enlouquece…

Agora és uma sombra que me entristece,

a luz fria que não me ilumina,

a comida que me envenena,

a saudade que me desvaira…

Miss you…

 

Salvação…


Estou perdido em ti…

Perdido nos teus olhos de mel, acesos com o calor que nos rodeia,
Desespero quando olhas para mim, fazes-me enlouquecer,
Tão perdido, no fundo do nada com uma luz que me encandeia,
Sou um medo de te perder e mais nada ter…

Estou perdido em ti…

Tão profundo, tão escuro, não consigo dormir,
Penso em ti, preciso de ti, sem pensar em mim,
Estou sem forças, para lutar ou fugir,
Deste sonho etéreo, desta batalha sem fim…

Estou perdido em ti…

Estou cego de amor, numa sala sem luz,
Afogo-me no teu carinho, do amor que me enlouquece,
Caiu nos teus braços, no teu colo que me seduz,
És ardor sem dor, numa teia que o amor tece…

Estou perdido em ti…
e em ti tudo encontro quando me perco…

Abafas-me

 abafas-me

 

Abafas-me

Não vês que quanto mais me apertas mais eu te escapo pelos dedos…

Abafas-me

Não vês que já te dei tudo o que tinha …e agora já nada sou do que pequenos medos…

Abafas-me

Não vês que choro porque já não te sinto e apenas sou lágrimas que fluem sem rumo…

Abafas-me

Não vês que só me tocas porque sabes que me perdeste e que estou etéreo como fumo…

Abafas-me

Não vês que nós já não somos nós…eu sou apenas um pouco de eu e tu és muito de ti… tiras-me da alma a cor…

Abafas-me

Não vês que o amor assim não é amor… apenas é silêncio e dor…

Abafas-me

Não vês que mais nada sou e apenas um triste vácuo fiquei….

Abafas-me

Não vês que já parti e que tudo… mas tudo… te dei…

Todo para ti

Chego cansado de uma jornada incessante,
O mundo escuro pesa nos meus ombros desanimados
Procuro-te ansioso para um beijo revigorante
No ar flutuam mil odores perfumados

Cheguei… estou aqui.. todo para ti…

Esperas por mim, lasciva e quente,
Pensamentos pecaminosos, num estado febril,
Olhas para mim faminta e ardente
Queres o meu corpo, com sensações mil…

Cheguei… todo para ti…

Encontro-te num lençol carmim
Jocosa e desafiante, não olhas para mim
O desejo nasce e cresce, num rodopio sem fim
Tu e eu nus, corpos num frenesim

Todo para ti…

Uso o teu corpo quente para meu prazer
Tiras tu de mim o teu orgasmo devido
Beijo-te e toco-te e levo-te a desfalecer
Em mim ficas numa comunhão sem sentido

Para ti…