Todo para ti

Chego cansado de uma jornada incessante,
O mundo escuro pesa nos meus ombros desanimados
Procuro-te ansioso para um beijo revigorante
No ar flutuam mil odores perfumados

Cheguei… estou aqui.. todo para ti…

Esperas por mim, lasciva e quente,
Pensamentos pecaminosos, num estado febril,
Olhas para mim faminta e ardente
Queres o meu corpo, com sensações mil…

Cheguei… todo para ti…

Encontro-te num lençol carmim
Jocosa e desafiante, não olhas para mim
O desejo nasce e cresce, num rodopio sem fim
Tu e eu nus, corpos num frenesim

Todo para ti…

Uso o teu corpo quente para meu prazer
Tiras tu de mim o teu orgasmo devido
Beijo-te e toco-te e levo-te a desfalecer
Em mim ficas numa comunhão sem sentido

Para ti…

Nu de Espada


Procuras em mim o guerreiro que lês nos teus romances
Queres que seja forte, imortal, belo e sedutor
Precisas que, na tua ilusão, te salve todas a vezes
Que em perigo te pões, sem nunca ligares à dor

Queres que guarde a tua alma
Fique de guarda ao teu destino
Sempre atento na manhã calma
Um sentinela feroz e felino

Necessitas de mim nu e inocente
Com a armadura da minha pureza
Ser o teu salvador reluzente
Que te transporta com força e destreza

Pois bem, estou sempre aqui
Nu de espada para ti
Serei sempre o teu guerreiro, o teu amado
Que te salvará do teu triste fado

Juntos seremos no infinito apenas um
Numa aventura eterna e nua
Não temeremos inimigo algum
A minha espada nua será, com amor, tua…

Silencio


Silêncio cruel que me matas o ser
Ter vida sem a ter
Não falar sem perder o estar
Silêncio cruel que cegas o luar

Silêncio cruel que me domina
Perturba a alma e me fascina
Quero matar-te com um grito puro
Silêncio cruel que crias o coração duro

Silêncio cruel que me afundas
Recordas-me cicatrizes profundas
És o pior do meu ser
Silêncio cruel que sem ti não sei viver

Pelo menos tentamos


Acabou…quando te disse esta palavra choraste
Os teus olhos de cristal cresceram com as lágrimas luzidias
Encostaste ao chão, tremeste e de raiva gritaste
Gritaste que não me querias ouvir, mas sabias que as palavras não eram frias

Podia-te dizer muitas mentiras tolas (…mas não digo)
Que a culpa era toda minha e não tua (…e é toda minha)
Que ficarei teu amigo (…e tu bem sabes que não fico)
Que teria outro amor (…mas sabes que só a ti te tinha)

Mas só te disse, sem mentir e sem desencanto
Acabou…mas pelo menos tentamos

A paixão foi quente e arrebatadora, rápida e sem demora
Iludiste-te com a sinceridade da minha calma, com a frágil luz da minha alma
Com os meus gestos cuidados e os toques carinhosos
Com a minha voz colocada e os meus suspiros afectuosos

E agora, foi com ela que ouviste, o que te feriu como uma lança maldita
Acabou…mas pelo menos tentamos

Disse-te que tinha cicatrizes tatuadas na minha alma ferida
Que nunca seria teu para ficar, como nunca serei único e meu
E tu aceitaste, na ilusão de me curares e me dares guarida
De curares os meus males e tornares o meu coração o teu

Fizeste tudo e foi bonito, mas sem perdão ouves o clamor do fim
Acabou, mas pelo menos tentamos

A Noite – Parte I

Continuei pelo passeio sujo, desviando-me das cascas de laranja que tornavam o chão uma armadilha. O ar estava carregado, o que me fazia sentir cansado e sem forças. Meti a mão ao bolso para ver o meu dinheiro. Tirei umas notas amarrotadas…10, 15, 35, 60 euros. “Já dá para a noite”, pensei. Dirigi-me na noite escura para a zona histórica. Sabia que ia estar carregada de turistas e de estudantes bêbados. “Pode ser que dê uma”, murmurei entre um sorriso nos lábios…”até me fazia bem”.
Os candeeiros da rua iam alternando a minha sombra. Esta crescia e diminuía conforme avança para o meu objectivo. Ia-me fazendo companhia e distraia-me enquanto não chegava. O meu bafo fazia vapor e estava a ficar com o nariz molhado do frio.
Distraí-me com umas prostitutas que conversavam no outro passeio e tropecei num buraco feito pela chuva e pelo uso da calçada. “Porra pra esta merda, pá”, berrei, enquanto me equilibrava num salto e me encostava à parede.
As putas riram-se ao me verem quase cair.
Parei e verifiquei se não tinha dado cabo dos sapatos. Eram do meu pai e foram das poucas coisas de jeito que me deixou ao fugir. Isso e dividas. Bem… e um meio-irmão mulato. Os sapatos salvaram-se e não sujaram o lustro que tanto custou a puxar.
Elas riram-se e perguntaram com cara de gozo se estava bem: “Tás bem, môre? Queres uns miminhos? Anda cá à Locas que ela põe-te nos trinques” disse a mais gorda, com a barriga que parecia querer fugir para respirar entre uns calções apertados demais e um top tão curto que quase se viam as mamas em baixo e por cima também.
“Deixa o moço que ele vai ver se tem pito de graça…olha pra ele tão bonitinho”, disse a loira desdentada com umas raízes pretas que parecia que lhe tinha ardido o cabelo debaixo para cima, como num incendio florestal.
“Obrigado, moças, mas estou bem”, disse atrapalhado. Lá segui o caminho certo que não me tinha sujado. Esta roupa tinha-me custado bem caro. Tive de descarregar a casa de um tipo e montar uma porrada de armários na casa nova. Foi o Pipo que me arranjou o biscate. Mas acho que o cabrão recebeu mais do que as 150 mocas que dividiu comigo. Cabrão. Se estiver ai na noite vou já dizer-lhe das boas.

Agradecimentos atrasados

Caros leitores, amigos e certas e determinadas pessoas que bem sabem quem são…

Este é desde já o meu muito comovido agradecimento. Agradeço a força que me deram, a disponibilidade que demonstraram, a felicidade que partilharam comigo.
Isto prende-se claro com o resultado do concurso do World Art Friends. Para quem ainda não sabe, fiquei em segundo lugar na votação de Poesia (com o poema vencedor da votação do blog, o “Sonhei contigo outra vez”) e ganhei o concurso de Prosa com o texto “O tempo que nos separa é o tempo que nos une…”.
Isto só foi possível graças aos meus amigos que me apoiaram do inicio ao fim, de todas as maneiras possíveis. A vocês, mais uma vez, o meu muito obrigado.

Mas isto não fica por aqui. Assim, nos dias 23 e 24 de Maio, será celebrado o aniversário da Corpos Editora (a editora do Ex-Ricardo dePinho Teixeira) que é a responsavel pelo forum do W.A.F. Neste aniversário, que terá inumeros eventos, como lançamentos de livros e actuações ao vivo, terá num dos seus momentos, dia 24, a atribuição dos prémios do 1º Concurso do World Art Friends. Tem aqui o link para todo o cartaz.
Conto estar presente e conto estar convosco, meus amigos, neste momento tão sui generis.
A todos o meu sincero agradecimento.

O nevoeiro que nos conforta…


Hoje, a longa bruma da madrugada envolveu-me nos seus braços, fez-me sentir menino, fez-me sentir seguro… seguro para contar todos os meus medos ao nevoeiro desconhecido e sombrio…medos que só têm os covardes… covardes… sim, covardes, aqueles que não vêem o que tem à frente, covardes que não abrem o coração…covardes que não confiam…

Hoje, fui covarde… o nevoeiro chamou-me de covarde… “porque não confias?” disse ele… “porque não acreditas no que o teu coração te diz?”… “porque é que amas e acreditas, mas continuas a não querer acreditar?”….

Sei lá…quis dizer algo de bonito ao nevoeiro, mas não fui capaz… simplesmente, não fui capaz…

Sentia-me desorientado, confuso, perdido… como é difícil estar perdido no meio do nevoeiro… queria gritar, queria espernear, queria bater, esmurrar, dar pontapés… mas o nevoeiro é etéreo, o nevoeiro não sente…

Às vezes, queria ser como o nevoeiro… não sentir…poder desvanecer no ar com uma simples brisa… desaparecer na escuridão da noite… no brilho das estrelas… eu queria… mas não queria…

É bom sentir… é bom suspirar de felicidade…é bom sorrir quando algo de quente nos invade o coração, e nos tira a venda dos olhos… é bom ver através do Amor…

Porque é que o Amor é tão bom? Podia ser como uma sensação qualquer, que se esgotasse mal fosse satisfeita… mas o Amor não se esgota… o Amor transforma-nos… o Amor liberta-nos…

O nevoeiro tinha razão… sou um covarde… soube disso nos braços do nevoeiro, soube disso no momento em que me encontrei… no momento em que descobri a solução para os meus medos… tão simples… tão lindo… o Amor…

E ele está perto… muito perto… quase posso tocar-lhe, quase posso senti-lo… ele é um sorriso sincero, um olhar carinhoso, um carinho espontâneo… é… ele está aqui… sinto-o… dentro do meu peito, no coração… invade-me a alma… faz-me renascer… faz-me vibrar… quero rir…quero chorar…

Só queria ser feliz… feliz como o nevoeiro que conforta os apaixonados… covardes e os que já ultrapassaram tudo… os que já são felizes…

Só te queria ao meu lado…

Publicado em WorldArtFriends

Reflexo solitário

Tenho medo…
Olho para mim sem cor e fico desolado e em terror,
Não sou belo nem bonito, olho para o meu rosto e grito,
Quero sair daqui, deste medo… fugir de ti, de mim, saltar do penedo,
Estou feio e vergonhoso, triste e não fogoso…

Tenho medo…
Olho o espelho embaciado, vejo um rosto sujo e carregado,
Um reflexo que me diz, és triste e quiçá infeliz,
Detesto-me sem piedade, sou um derrotado sem verdade,
Apago a luz e choro sozinho, lágrimas tontas que caem no caminho…

Tenho medo…
Um negro manto cai sobre meus ombros,
solidão pesada que me desfaz em escombros,
grito para o espelho que nada responde,
pergunto-lhe o que tão sombrio me esconde…

Tenho medo…
Vejo aquele pateta triste e desolado,
que chora ao ver-se só e em pecado,
geme baixinho com a sua dor,
só quer crescer e encontrar o amor…

Tenho medo de não encontrar o amor
de sozinho olhar sempre o espelho e desesperar na dor…
Tenho medo de um dia acordar
e de sozinho continuar a chorar ao luar.

Publicado em WorldArtFriends

Votação no World Art Friends

Caros amigos, o poema já foi a concurso e a votação está em aberto e acaba dia 10 de Maio. Como alguns de vós perguntaram como poderiam votar, o esquema é o seguinte: após inscrição no World Art Friends, o link para a votação está na página principal. Propus um poema e uma prosa, pelo que os dois estão a votos.
Cada login apenas tem direito a um voto numa das categorias.
Sim, já votei em mim, nos poemas e nas prosas.
Assim, conto com os vossos votos.

O forum:
www.worldartfriends.com

o link directo para voto:
http://www.worldartfriends.com/modules/newbb/viewforum.php?forum=8

Muito obrigado

O Amor é como uma Rosa


Quando os poetas de alma doce e romântica de tempos longínquos falavam do Amor, comparavam-no às Rosas…. porque o Amor pode ser como uma Rosa…lindo, sedoso, com um cheiro penetrante, suave, sedutor, que enlouquece os nossos sentidos e nos deixa como a pairar num céu de nuvens cor-de-rosa, que nos transforma em borboletas sorridentes, que esvoaçam num frenesim de cor e sensações de prazer…

Mas a Rosa tem espinhos… espinhos que nos picam quando menos esperamos e que nos fazem recuar ante tal beleza… porque o medo de nos picarmos é por vezes forte demais…

Também o Amor… também este sentimento que leva qualquer um à loucura e à uma multiplicidade de sentimentos de prazer… também o Amor tem espinhos… espinhos que nos provocam medos… medos que nos levam a rejeitá-lo, a negá-lo, a temê-lo, a afastá-lo…

Um desses espinhos na flor do Amor é o frio e cruel sentimento do Ciúme… sim, o Amor gera felicidade, gera loucura, mas também pode criar o Ciúme, o demóniozinho dos olhos verdes… que nos leva à tristeza, ao desespero, nos leva de volta ao medo, a temer que toda a felicidade e loucura do Amor sejam uma ilusão…

E eu já vi a face do Ciúme nos meus olhos…. e não gostei… criou em mim um medo que há muito não sentia… um sentimento de revolta que transformava o meu coração num bloco de gelo vingativo, que me levava a temer o pior, a querer fugir para o escuro, para onde não pudesse ser magoado…para longe do Amor…

Mas eu não quero fugir do Amor… quero abraça-lo, quero senti-lo, quero transformar-me na borboleta que esvoaça sem rumo, que vê o mundo pelos olhos da vida, pelos olhos da luz….

Sim, tenho medo dos espinhos do Amor… mas sei que há algo que afasta de mim o sentimento negro do Ciúme… é a luz da tua voz, o calor do teu olhar, a ternura do teu sorriso, a doce meiguice do teu toque…

Há alturas em que a vergonha surge espontaneamente, e nos obriga a pedir perdão… a pedir que tenhas compreensão pelas inseguranças, pelos medos que os espinhos me criam, pela insegurança das minhas palavras, pelo riso tremulo que esconde os meus sentimentos…

Ás vezes gostava de ser um poeta para poder dedicar-te o mais lindo poema do mundo, pois só este seria digno de passar pelos teus olhos… um poema que falasse de Rosas, de felicidade, de Amor, de ti… de nós…

Mas não sou … queria ser, mas não posso ser algo que não nasci para ser… só espero que gostes do que sou… e que percebas nos meus actos desajeitados, nas minhas palavras sem sentido, no brilho límpido dos meus olhos, na minha loucura do dia-à-dia, … que o que sinto por ti, é a mais linda Rosa deste jardim em que vivemos… e que embora os espinhos existam, é fácil esquecê-los e sentir o doce toque das pétalas da Rosa, sem qualquer dor, sem qualquer remorso…

e senti-lo juntos…

Sábado, 27 de Maio de 2000