Ensaios

Desvanecência…

Perguntaram-me se tinha deixado de escrever… 

Perguntaram-me se tinha perdido a inspiração… 

Perguntaram-me se mais nada tinha a declamar… 

Perguntaram-me se tinha desvanecido… 

Se calhar…não sei…amargura-me ver o blog que tanto prazer me deu a pairar sozinho no éter…a viver de saudades antigas… 

Voltarei…sim…ainda não acabei…não me esqueçam… 2

O nevoeiro que nos conforta…

Hoje, a longa bruma da madrugada envolveu-me nos seus braços, fez-me sentir menino, fez-me sentir seguro… seguro para contar todos os meus medos ao 

nevoeiro desconhecido e sombrio…medos que só têm os covardes… covardes… sim, covardes, aqueles que não vêem o que tem à frente, covardes que não abrem 

o coração…covardes que não confiam… 

Hoje, fui covarde… o nevoeiro chamou-me de covarde… “porque não confias?” disse ele… “porque não acreditas no que o teu coração te diz?”… “porque é que amas 

e acreditas, mas continuas a não querer acreditar?”…. 

Sei lá…quis dizer algo de bonito ao nevoeiro, mas não fui capaz… simplesmente, não fui capaz… 

Sentia-me desorientado, confuso, perdido… como é difícil estar perdido no meio do nevoeiro… queria gritar, queria espernear, queria bater, esmurrar, dar pontapés… 

mas o nevoeiro é etéreo, o nevoeiro não sente… 

Às vezes, queria ser como o nevoeiro… não sentir…poder desvanecer no ar com uma simples brisa… desaparecer na escuridão da noite… no brilho das estrelas… 

eu queria… mas não queria… 

É bom sentir… é bom suspirar de felicidade…é bom sorrir quando algo de quente nos invade o coração, e nos tira a venda dos olhos… é bom ver através do Amor… 

Porque é que o Amor é tão bom? Podia ser como uma sensação qualquer, que se esgotasse mal fosse satisfeita… mas o Amor não se esgota… o Amor transforma- 

nos… o Amor liberta-nos… 

O nevoeiro tinha razão… sou um covarde… soube disso nos braços do nevoeiro, soube disso no momento em que me encontrei… no momento em que descobri a 

solução para os meus medos… tão simples… tão lindo… o Amor… 

E ele está perto… muito perto… quase posso tocar-lhe, quase posso senti-lo… ele é um sorriso sincero, um olhar carinhoso, um carinho espontâneo… é… ele está 

aqui… sinto-o… dentro do meu peito, no coração… invade-me a alma… faz-me renascer… faz-me vibrar… quero rir…quero chorar… 

Só queria ser feliz… feliz como o nevoeiro que conforta os apaixonados… covardes e os que já ultrapassaram tudo… os que já são felizes… 

Só te queria ao meu lado… 

O Amor é como uma Rosa

Quando os poetas de alma doce e romântica de tempos longínquos falavam do Amor, comparavam-no às Rosas…. porque o Amor pode ser como uma Rosa…lindo, 

sedoso, com um cheiro penetrante, suave, sedutor, que enlouquece os nossos sentidos e nos deixa como a pairar num céu de nuvens cor-de-rosa, que nos 

transforma em borboletas sorridentes, que esvoaçam num frenesim de cor e sensações de prazer… 

Mas a Rosa tem espinhos… espinhos que nos picam quando menos esperamos e que nos fazem recuar ante tal beleza… porque o medo de nos picarmos é por 

vezes forte demais… 

Também o Amor… também este sentimento que leva qualquer um à loucura e à uma multiplicidade de sentimentos de prazer… também o Amor tem espinhos… 

espinhos que nos provocam medos… medos que nos levam a rejeitá-lo, a negá-lo, a temê-lo, a afastá-lo… 

Um desses espinhos na flor do Amor é o frio e cruel sentimento do Ciúme… sim, o Amor gera felicidade, gera loucura, mas também pode criar o Ciúme, o 

demóniozinho dos olhos verdes… que nos leva à tristeza, ao desespero, nos leva de volta ao medo, a temer que toda a felicidade e loucura do Amor sejam uma 

ilusão… 

E eu já vi a face do Ciúme nos meus olhos…. e não gostei… criou em mim um medo que há muito não sentia… um sentimento de revolta que transformava o meu 

coração num bloco de gelo vingativo, que me levava a temer o pior, a querer fugir para o escuro, para onde não pudesse ser magoado…para longe do Amor… 

Mas eu não quero fugir do Amor… quero abraça-lo, quero senti-lo, quero transformar-me na borboleta que esvoaça sem rumo, que vê o mundo pelos olhos da vida, 

pelos olhos da luz…. 

Sim, tenho medo dos espinhos do Amor… mas sei que há algo que afasta de mim o sentimento negro do Ciúme… é a luz da tua voz, o calor do teu olhar, a ternura 

do teu sorriso, a doce meiguice do teu toque… 

Há alturas em que a vergonha surge espontaneamente, e nos obriga a pedir perdão… a pedir que tenhas compreensão pelas inseguranças, pelos medos que os 

espinhos me criam, pela insegurança das minhas palavras, pelo riso tremulo que esconde os meus sentimentos… 

Ás vezes gostava de ser um poeta para poder dedicar-te o mais lindo poema do mundo, pois só este seria digno de passar pelos teus olhos… um poema que falasse 

de Rosas, de felicidade, de Amor, de ti… de nós… 

Mas não sou … queria ser, mas não posso ser algo que não nasci para ser… só espero que gostes do que sou… e que percebas nos meus actos desajeitados, nas 

minhas palavras sem sentido, no brilho límpido dos meus olhos, na minha loucura do dia-à-dia, … que o que sinto por ti, é a mais linda Rosa deste jardim em que 

vivemos… e que embora os espinhos existam, é fácil esquecê-los e sentir o doce toque das pétalas da Rosa, sem qualquer dor, sem qualquer remorso… 

e senti-lo juntos… 

Hoje acordei…

e tive vontade de bloggar… 

Mais uma noite mal dormida (culpa do vinho e das bolachas) geralmente colocam-me num estado de inquietação e de nostalgia difícil de descrever. Tenho 

aquele nervoso miudinho que não desaparece, aquele cansaço triste que não me deixa sorrir… 

apetece-me fazer tudo e não fazer nada… 

Tenho de trabalhar e só queria ir brincar, brincar com qualquer coisa que me distraisse o suficiente para não ter de pensar muito nas coisas… 

Detesto noites mal dormidas que me fazem ficar assim…e já não tenho uma noite bem dormida à séculos…estou condenado a uma vivência mal dormida? 

Que se lixe, amanhã há mais…