Matilde acordou com mais uma explosão, que iluminou a noite. A cabeça doía-lhe muito, mas, ao passar os dedos pelos caracóis dourados não notou sangue. “Pelo 

menos isso…onde estou…” e os seus pensamentos foram interrompidos por mais uma explosão. 

A luta dos Resistentes estava a correr mal. Um pequeno ataque a um armazém para recuperar alguma comida e água guardada pelas Máquinas, liderado pelos 

lideres dos NewSupremacy, era uma armadilha, provavelmente por algum traidor que trocou mais uns dias de vida por uns trocos. 

Estavam agora rodeados, e, como sempre, não iriam cair sem dar luta… esse não era o modo dos NewSupremacy, e como tal, rebentou a luta, voaram balas, facas, 

granadas e os robôs começaram a produzir os seus animais de balões. Fumo, fogo e explosões no armazém… gritos e movimentos de luta por todo o lado. 

Juntaram-se à luta os Mech, robôs novos, com mais braços e mais rápidos. Ia ser complicado. 

Matilde olhou à sua volta e reparou que os seus frascos de elixir de cura estavam espalhados… “já tenho poucos, maldição”, e ao levantam a cabeça para se situar 

uma visão gelou-a… 

 

Martim!” gritou, por ver o seu irmão mais novo, numa luta desenfreada com um dos robôs, que o segurava pelo pescoço enquanto tentava enfiar uma flor de balão 

pela sua garganta. 

Martim, no seu camuflado, lutava e tentava chutar o Mech, coberto de balões, que o levantava no ar. As suas armas estavam no chão, a sua katana longe, e Matilde 

gelou ao ver que o Martim estava a tentar chegar a uma granada que tinha presa em si… 

Matilde tentou levantar-se para ajudar o irmão, mas sentiu uma dor lacinante num joelho… gritou e caiu… olhou novamente em volta e, no meio dos fogos, do fumo, 

da luta incessante que a rodeava, e procurou desesperadamente por algo… 

 

SALTA, SALTA, SALTA” ouviu, estridente, um grito que veio do ar. Olhou para cima e viu um vulto a saltar de cima de um armário em direcção ao Mech que segurava 

o Martim, um salto de quatro metros pelo ar. Tudo lhe parecia em câmara lenta até que ouviu outro grito “Miga, preciso do teu punhal, já!”, e Matilde saiu do torpor que 

estava. 

 

Raisparta Carolina, sempre a mesma!” gritou a Matilde, com um sorriso, enquanto procurava na sua bota, adornada com um autocolante da Violetta, pelo punhal 

pedido pela amiga. Encontrou e suspirando fundo, concentrou-se nos seus pensamentos “anda lá Matilde, exactamente como nos treinos” e, com uma precisão 

inumana lançou o punhal na direcção da amiga. 

Carolina, sem olhar, apanha o punhal no ar e aterra como um gato nas costas do Mech. O Mech surpreso afrouxa o aperto que segurava o Martim, e este, com um 

salto mortal e um pontapé, consegue soltar-se. Aterra perto da katana que rapidamente agarra com a mão direita, enquanto que com a esquerda retira a granada que 

tem no colete. 

Carolina em cima do Mech luta para se segurar, enquanto este tenta agarra-la, com os braços disponiveis, enquanto tenta fabricar uma espada de balão para a atingir. 

Carolina agarra o punhal com a mão direita e segura-se com os joelhos na nuca do Mech, e com a esquerda arranja uma ranhura entre a armadura de balões…grita 

 

Martim, ainda estás a dormir? Ou vais-me ajudar”. enquanto começa a cortar os fios de controlo do robô. 

Martim, com duas cambalhotas, evita a perna do Mech e rapidamente situa-se na virilha do Mech. Com movimentos precisos, usa a katana para separar os balões 

que protegem um pequena porta na perna do Mech, e em menos de um segundo, abre um brecha e enfia a granada lá dentro. “Salta, miuda”, grita ele, “isto vai 

aquecer”. 

Carolina salta como um gato para o ar e aterra em cima de outro robô, já meio destruido, usando os balões para amparar a queda “Ah, também servem para isto… 

hummm…sinto saudades dos castelos de saltar”, pensou a Carolina, com um sorriso malicioso. 

Martim, com uma velocidade felina, recua para trás de um caixote e observa o Mech a cambalear, descontrolado, a encher balões, e a soltar faiscas da cabeça. 

Abaixa-se quando a granada explode e observa o Mech a cair e a saltar no chão, ao bater com a armadura de balões no asfalto. 

No meio do fumo aparece um jipe, a acelerar e a apitar, e, no lugar do condutor, Matilde acena para os seus companheiros “Rápido malta, que acho que vêm ai 

reforços”. O Martim salta para o lugar do passageiro, com um ar preocupado “Só perdemos gente e munições…” desbafou. “Não te preocupes, recuperei alguma 

água e munições, olha lá atrás”, disse a Matilde. 

Martim olha para a parte de trás do jipe e assusta-se um pouco quando aterra a Carolina em cima de uns bidões de água. “Isto foi fixola, já limpei mais 3 Mech pra 

minha conta”, diz a Carolina, enquanto devolve o punhal à Matilde, “isto é teu, Miga”. 

 

 

Obrigado”, diz a Matilde, “sabes como é especial”. 

Hey, este ultimo conta para mim… a granada era minha” diz o Martim para a Carolina. “Pfff”, responde esta, “continuas sem querer dividir os brinquedos”, com um 

sorriso, “vamos mas é para o castelo reunir as tropas”. 

O jipe, com os lideres dos NewSupremacy, avança na noite, seguido de uma Transit com mais alguns companheiros… não foi uma grande noite, mas continuam 

vivos…e isso é bom. 

Cenas dos próximos capítulos: 

Capitulo III 

Martim: “Lembraste deste aniversário?” 

Matilde: “Sim o dos balões…o pai bem tentou…” 

Carolina: “Já falei com o Rafa, e lá porque ele não sai de casa, não significa que não nos ajude”, diz ela com um ar descontraído. “Bem sabes que o génio é ele”. 

Afonso: “Ele a mim não me diz a verdade”, disse, a sentar-se… “Sinto falta da Nóno e do Edu, desde que eles partiram para Espanha”, desabafou. 

Capitulo IV 

Carolina: “Não sabes o que lhes aconteceu…” gritou ela. “Separamo-nos e foi isso”, disse-o com uma lágrima no canto do olho. “Eles eram os Supremacy, sobreviver 

era o que faziam melhor”. 

Matilda: “Calma rapariga, temos de ter fé e não nos basearmos em rumores”, disse ela, a pousar a guitarra convertida em sabre no chão. 

Olharam, os três, estupefactos, para a maior plantação de arvore da borracha que alguma vez viram, completamente rodeada de cercas laser e com Mechs a 

guarda-la por todo o lado. 

Capitulo V 

Martim: “Não, ele foi escuteiro. Se alguém sobrevivia nos montes de Viana era ele” diz ele, nervoso. 

Carolina: “Eu sei, eu sei”, reponde a por-lhe a mão no ombro, “se achas que sim, vamos lá ter com ele” 

Matilde, com uma lágrima no canto do olho: “Eu também vou…” 

Pedro: “Não, não posso…não sei…eu traumatizei uma criança…e não me apercebi dos sinais…” disse-o, sentado, a olhar o chão. 

Martim: “Mas Pai…por favor…” implorou, a procurar apoio nos seus companheiros. 

Capitulo VI 

Parecia impossível, mas aquela espada preta que não parecia uma espada era mesmo capaz de destruir os balões indestrutíveis. A esperança tinha voltado aos