Prólogo – Olho de Dour’or

Sabiam que, há muitos, muitos, muitos anos, a Terra que conhecemos já foi outra Terra, que nem se chamava Terra, mas Ghaya? Sabiam que, antes de os continentes se separarem havia apenas um grande mar que rodeavam as terras de perto e de longe, e que se chamava Atlius? Sabiam que, antes do Homem ser o Homem, e ser apenas o Homem na Terra, eram muitos os habitantes de Ghaya mas que nem sempre estes eram humanos, e que destes humanos puros haviam poucos? Sabiam que, antes de a energia ser presa em pilhas e usada em lâmpadas, ela fluía pelo ar de tal maneira que os ghayanos chamavam-na de mana? Sabiam que, o mana estava em todo o lado, usado por feiticeiros e druidas, magos e padres, humanos, elfos, troks, millos, anuis e outros que tais, para fazer o bem e o mal?...

The coffe shop in Paris – II

Repleto de suor, o rapaz nos seus trintas finaliza o seu treino intenso. Limpa com uma toalha a testa molhada e a cabeça rapada, que escorria para o chão do quarto de banho minúsculo. Bebe mais um golo do seu shake de proteínas e desliga as suas luvas electrónicas que usou para fazer a sua série de push-ups e agachamentos. “60 kilos em cada uma…nada mau…”, pensou para si. Ao retirar as luvas deixou ficar os punhos pretos de ginásio com as letras a vermelho “SBSR”. Muitos dos seus pares militares já se questionaram o que significava a sigla que estava a ficar gasta. Consideravam que seriam uma sigla de um qualquer grupo militar ou unidade de elite da antiga União Soviética dos Estados Chino-Árabes, ou já das Seal Teams...

The coffe shop in Paris

Capítulo IA jovem loira mantinha-se impaciente e nervosa, vestida numa gabardina rosa da Burberry, comprada no Harrods antes de rebentar a Guerra. A gabardina leve e distinta escondia subtilmente a mortífera agente que esta era. Para se manter ocupada estava a recitar no seu pensamento, por ordem de preferência, todos os venenos não detectáveis pós-mortem, inodoros e incolores. Um exercício fútil, mas que a mantinha distraída: …”thallio, cianeto, belladona…”Os seus pensamentos foram interrompidas por um tímido “pssst”. A jovem já tinha sentido alguém a aproximar-se, mas sabia que seria alguém que vinha ter com ela, porque o bilhete que segurava no bolso, já húmido do suor das mãos, dizia simplesmente: “fomos felizes Paris...

Francesinha ou o calor do vermelho

A luz de halogéneo piscava de quando em vez, e criava sombras cada vez mais esguias nas paredes. O detective Mendes, cansado, abriu mais o colarinho e esticou o já solto nó da grava azul clara (com manchas de gordura e mostarda), e gritou, ecoando pelas paredes com mofo: – Mas afinal, vais cantar ou não? Já estou farto desta merda, pá! Sentou-se, pesado e com algum esforço na cadeira de metal, escamada e ferrugenta, e inclinou-se para cima da secretária antiga, a olhar para o outro ocupante deste gabinete bolorento do calabouço da Policia Judiciária. Do outro lado da mesa fitava-o, com um olhar mortiço (pelo menos parecia mortiço, já que os olhos mal se viam pela maquilhagem escura), um jovem que parecia já ter tido melhores dias. Com algum esforço,...