Francesinha ou o calor do vermelho
A luz de halogéneo piscava de quando em vez, e criava sombras cada vez mais esguias nas paredes. O detective Mendes, cansado, abriu mais o colarinho e esticou o já solto nó da grava azul clara (com manchas de gordura e mostarda), e gritou, ecoando pelas paredes com mofo: – Mas afinal, vais cantar ou não? Já estou farto desta merda, pá! Sentou-se, pesado e com algum esforço na cadeira de metal, escamada e ferrugenta, e inclinou-se para cima da secretária antiga, a olhar para o outro ocupante deste gabinete bolorento do calabouço da Policia Judiciária. Do outro lado da mesa fitava-o, com um olhar mortiço (pelo menos parecia mortiço, já que os olhos mal se viam pela maquilhagem escura), um jovem que parecia já ter tido melhores dias. Com algum esforço,...
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