A Noite – II

Aquele Pipo só me fode, pensava eu enquanto descia uma calçada íngreme e molhada. Doíam-me a ponta dos pés dos sapatos me apertarem quando estou a descer. Raisparta os sapatinhos de ponta… o meu pai tinha a mania que era finório…era outro cabrão também, isso é que era.A luz dos candeeiros continuava a fazer sobras esquisitas que me fazia estar atento, mesmo quando só pensava nos gajos… Cabrões os dois, era juntá-los e foder-lhes a boca. Aquele Pipo só me leva pra asneirada. Boi de merda, palmou um telemóvel na mudança que fizemos a semana passada mas fui eu a bater com os costados na esquadra a aturar o boi do Sargento Pires. Teve sorte de eu não o bufar, isso é que foi. Não é que merecesse, pois o cabrão já me tinha denunciado quando gamamos um...

A Noite – Parte I

Continuei pelo passeio sujo, desviando-me das cascas de laranja que tornavam o chão uma armadilha. O ar estava carregado, o que me fazia sentir cansado e sem forças. Meti a mão ao bolso para ver o meu dinheiro. Tirei umas notas amarrotadas…10, 15, 35, 60 euros. “Já dá para a noite”, pensei. Dirigi-me na noite escura para a zona histórica. Sabia que ia estar carregada de turistas e de estudantes bêbados. “Pode ser que dê uma”, murmurei entre um sorriso nos lábios…”até me fazia bem”.Os candeeiros da rua iam alternando a minha sombra. Esta crescia e diminuía conforme avança para o meu objectivo. Ia-me fazendo companhia e distraia-me enquanto não chegava. O meu bafo fazia vapor e estava a ficar com o nariz molhado do...