The coffe shop in Paris – II
Repleto de suor, o rapaz nos seus trintas finaliza o seu treino intenso. Limpa com uma toalha a testa molhada e a cabeça rapada, que escorria para o chão do quarto de banho minúsculo. Bebe mais um golo do seu shake de proteínas e desliga as suas luvas electrónicas que usou para fazer a sua série de push-ups e agachamentos. “60 kilos em cada uma…nada mau…”, pensou para si. Ao retirar as luvas deixou ficar os punhos pretos de ginásio com as letras a vermelho “SBSR”. Muitos dos seus pares militares já se questionaram o que significava a sigla que estava a ficar gasta. Consideravam que seriam uma sigla de um qualquer grupo militar ou unidade de elite da antiga União Soviética dos Estados Chino-Árabes, ou já das Seal Teams...
The coffe shop in Paris
Capítulo IA jovem loira mantinha-se impaciente e nervosa, vestida numa gabardina rosa da Burberry, comprada no Harrods antes de rebentar a Guerra. A gabardina leve e distinta escondia subtilmente a mortífera agente que esta era. Para se manter ocupada estava a recitar no seu pensamento, por ordem de preferência, todos os venenos não detectáveis pós-mortem, inodoros e incolores. Um exercício fútil, mas que a mantinha distraída: …”thallio, cianeto, belladona…”Os seus pensamentos foram interrompidas por um tímido “pssst”. A jovem já tinha sentido alguém a aproximar-se, mas sabia que seria alguém que vinha ter com ela, porque o bilhete que segurava no bolso, já húmido do suor das mãos, dizia simplesmente: “fomos felizes Paris...
A Noite – II
Aquele Pipo só me fode, pensava eu enquanto descia uma calçada íngreme e molhada. Doíam-me a ponta dos pés dos sapatos me apertarem quando estou a descer. Raisparta os sapatinhos de ponta… o meu pai tinha a mania que era finório…era outro cabrão também, isso é que era.A luz dos candeeiros continuava a fazer sobras esquisitas que me fazia estar atento, mesmo quando só pensava nos gajos… Cabrões os dois, era juntá-los e foder-lhes a boca. Aquele Pipo só me leva pra asneirada. Boi de merda, palmou um telemóvel na mudança que fizemos a semana passada mas fui eu a bater com os costados na esquadra a aturar o boi do Sargento Pires. Teve sorte de eu não o bufar, isso é que foi. Não é que merecesse, pois o cabrão já me tinha denunciado quando gamamos um...
A Noite – Parte I
Continuei pelo passeio sujo, desviando-me das cascas de laranja que tornavam o chão uma armadilha. O ar estava carregado, o que me fazia sentir cansado e sem forças. Meti a mão ao bolso para ver o meu dinheiro. Tirei umas notas amarrotadas…10, 15, 35, 60 euros. “Já dá para a noite”, pensei. Dirigi-me na noite escura para a zona histórica. Sabia que ia estar carregada de turistas e de estudantes bêbados. “Pode ser que dê uma”, murmurei entre um sorriso nos lábios…”até me fazia bem”.Os candeeiros da rua iam alternando a minha sombra. Esta crescia e diminuía conforme avança para o meu objectivo. Ia-me fazendo companhia e distraia-me enquanto não chegava. O meu bafo fazia vapor e estava a ficar com o nariz molhado do...
Fuga
Capítulo ID acordou com a ressaca do costume. Boca seca, voz arranhada, o corpo mole e dorido. Enjoado procurou algo para beber, mas só encontrou uma cerveja entornada…”Também serve”, pensou D enquanto limpa as remelas dos olhos.Bebeu o pouco liquido azedo e quente que existia na garrafa de Super-Bock, mas começou a ficar mal disposto. O seu figado, doente e pesado, fonte do tom de pele amarelada que D nos últimos tempos apresenta, deixa-o sempre enjoado e com vómitos. Hoje não é excepção.D afasta o mosquiteiro que protege a sua cama e corre para o quarto de banho. Tropeça em alguma roupa que está espalhada pelo chão, e cai desamparado sobre uma cadeira…bate com a testa num braço desta e faz um pequeno golpe…a roupa de dias...
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