Dia Cinzento

Sinto-me num dia sozinho, cinzento e amargo O dia mais sozinho de sempre Sinto-me num dia sozinho o dia mais só da minha vida Sem brisa morna a tocares-me Este dia de ser sozinho nem devia existir se pudesse apagava-o de mim Mas é meu o dia o dia mais sozinho de sempre e sem ti para te contar Se não estás é porque te foste Se te foste é porque já não és No dia mais sozinho de sempre não sei se sobreviverei sem ti

Miss You…

Fomos na noite um rodopio de luz dançando na escuridão iluminada pelo desejo éramos sombras, fugazes, longas, transparentes, juntos reinamos na fuga à noite eterna… Éramos noite de luar que não terminava um eterno lusco-fusco de prazeres malditos um jorrar de sorrisos cúmplices e sinceros numa correria etérea pelas nossas ruas sombrias Mas tu partiste… Miss you… Agora és apenas uma voz quente nos meus sonhos que chora, que grita, que clama, que ama… uma voz que me mata, que me afasta, que me domina… és a voz que me enlouquece… Agora és uma sombra que me entristece, a luz fria que não me ilumina, a comida que me envenena, a saudade que me desvaira… Miss you…...

Comprimidos…

O quarto é escuro e bolorento…T está encostado junto a um sofá roto, deitado no chão a segurar uma folha de jornal rasgada… olha para a janela suja e fria, por onde a luz dos candeeiros cria sombras fugazes…levanta-se, vagarosamente e fecha a cortina rasgada…um pouco de claridade da lua ainda entra no quarto, iluminando uma pequena mesa com um telefone…T senta-se,pesado, no sofá e pega no telefone…marca, lentamente, um número…T: Tou…sou eu…queria ouvir a tua voz……T: Eu sei…estou bem…não, não me esqueço de tomar os comprimidos……T: Sinto-me só…tenho saudades tuas…quando chegas?…T: Não, não me esqueço de tomar os compridos…gosto de ouvir a tua voz de...

Suspiro…

Senti saudades imensas de escrever… palavras deslizam no meu pensamento e sei que as devia escrever e entoar… sinto a falta da insanidade benéfica que é para mim transmitir emoções por palavras…terei de sair desta letargia…Suspiro atrás de suspiro…

O nevoeiro que nos conforta…

Hoje, a longa bruma da madrugada envolveu-me nos seus braços, fez-me sentir menino, fez-me sentir seguro… seguro para contar todos os meus medos ao nevoeiro desconhecido e sombrio…medos que só têm os covardes… covardes… sim, covardes, aqueles que não vêem o que tem à frente, covardes que não abrem o coração…covardes que não confiam…Hoje, fui covarde… o nevoeiro chamou-me de covarde… “porque não confias?” disse ele… “porque não acreditas no que o teu coração te diz?”… “porque é que amas e acreditas, mas continuas a não querer acreditar?”….Sei lá…quis dizer algo de bonito ao nevoeiro, mas não fui capaz… simplesmente, não fui capaz…Sentia-me desorientado, confuso, perdido… como...