Não me digas

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Não digas que me queres
Não digas que me necessitas
Não digas que me sentes
Não digas que me amas
Não digas… eu sei

Eu tenho tempo
todo o tempo do mundo
para te trazer para mim
O destino traçou-nos
E os Deuses assim o querem

Não digas que estás bem sem mim
Não digas que és feliz aí
Não digas que agora estás melhor
Não digas que não me necessitas
Não digas…eu sei

Estarás perto de mim
Porque ficou escrito no céu
Porque fugir não é opção
E esconderes é um vazio

Não me digas que esperas
Não me digas que sabes os sinais
Não me digas que corres para mim
Não me digas que os teus olhos são meus
não digas…eu sei

eu tenho todo o tempo do mundo
para te fazer minha
e sermos uma gota só
um chuvisco fresco
e digo-te…tu sabes
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Dia Cinzento

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Sinto-me num dia sozinho,
cinzento e amargo
O dia mais sozinho de sempre

Sinto-me num dia sozinho
o dia mais só da minha vida
Sem brisa morna a tocares-me

Este dia de ser sozinho
nem devia existir
se pudesse apagava-o
de mim

Mas é meu o dia
o dia mais sozinho de sempre
e sem ti para te contar

Se não estás
é porque te foste
Se te foste
é porque já não és

No dia mais sozinho de sempre
não sei se sobreviverei
sem ti

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The coffe shop in Paris

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Capítulo I

A jovem loira mantinha-se impaciente e nervosa, vestida numa gabardina rosa da Burberry, comprada no Harrods antes de rebentar a Guerra. A gabardina leve e distinta escondia subtilmente a mortífera agente que esta era. Para se manter ocupada estava a recitar no seu pensamento, por ordem de preferência, todos os venenos não detectáveis pós-mortem, inodoros e incolores. Um exercício fútil, mas que a mantinha distraída: …”thallio, cianeto, belladona…”
Os seus pensamentos foram interrompidas por um tímido “pssst”. A jovem já tinha sentido alguém a aproximar-se, mas sabia que seria alguém que vinha ter com ela, porque o bilhete que segurava no bolso, já húmido do suor das mãos, dizia simplesmente: “fomos felizes Paris mon amour”.

-Olá Carol…podes sair das sombras… o teu perfume de lilás denuncia-te a quilómetros, disse a jovem de gabardina, com um sorriso.

-Olá miúda … ainda usas esse farrapo velho que compramos nas férias?, responde a Ana Carolina com uma expressão de felicidade ao ver a amiga a virar-se para ela e a abrir os braços para um reencontro entre as duas.

-Ainda o uso e fica-me sempre bem, respondeu a jovem loira, … lembraste dessas férias?

-Sim, como se fossem ontem…estouramos o plafond dos cartões de créditos dos nossos pais… foi uma chatice regressar de camioneta pelo Canal da Mancha, que já nem existe.
-Lembras-te do passeio no Tamisa, Matilde? Quase que éramos expulsas do barco e tínhamos de vir a nado.

-Oh, só arranjas confusões, Carol, sempre pronta para arranjar problemas.

-Tudo por uma boa gargalhada, já era o nosso lema.

As amigas estavam abraçadas e olharam à volta…Paris já não era a mesma desde os ataques… e a torre Eiffel era apenas um monte de metal retorcido, numa imagem do novo mundo que as rodeava…destruído e fumegante, que enevoava o ar e o tornava pesado ao respirar.

Nos escombros do outrora Arco do Triunfo estavam os estilhaços das bombas e tudo era cinzento e sombrio…

A única coisa de pé era a pequena coffe shop, ainda azul e amarela, ainda límpida e serena… na esplanada estava um homem loiro, de gabardine escura e com um ramo de rosas na mão.

-Está ali ele, diz Matilde, com um sorriso maroto.
-Eu sei…e de rosas na mão…sempre o mesmo romântico, diz a Ana Carolina, a encolher os ombros e a sorrir.

Dirigem-se as duas pela rua suja, abraçadas e a sorrir. Ana Carolina apertava o seu bilhete no bolso do seu sobretudo…”fomos felizes Paris mon amour” repetia para si…

Francesinha ou o calor do vermelho

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A luz de halogéneo piscava de quando em vez, e criava sombras cada vez mais esguias nas paredes.
O detective Mendes, cansado, abriu mais o colarinho e esticou o já solto nó da grava azul clara (com manchas de gordura e mostarda), e gritou, ecoando pelas paredes com mofo:
– Mas afinal, vais cantar ou não? Já estou farto desta merda, pá!
Sentou-se, pesado e com algum esforço na cadeira de metal, escamada e ferrugenta, e inclinou-se para cima da secretária antiga, a olhar para o outro ocupante deste gabinete bolorento do calabouço da Policia Judiciária. Do outro lado da mesa fitava-o, com um olhar mortiço (pelo menos parecia mortiço, já que os olhos mal se viam pela maquilhagem escura), um jovem que parecia já ter tido melhores dias.
Com algum esforço, ergueu-se e colocou os cotovelos na mesa, a olhar directamente para o detective Mendes, aproveitando para afastar uns cabelos da frente dos olhos, mesmo com as algemas nos pulsos:
-Não percebes, pois não? És mais um carneirinho que pensa que é gente. Não tenho mais nada para te di…
A frase foi interrompida por um estalo com força suficiente para deitar o rapaz ao chão, caindo da cadeira, e jorrando algumas gotas de sangue na parede beje do gabinete, que se vão juntar às outras que já la estariam, secas e acastanhadas, fruto de outros estalos noutros desgraçados.
– Estás a cansar-me, pá!, gritou o detective: – e eu gosto pouco de me cansar, ò boi, por isso explicas-te rápido ou não sais daqui a caminhar.
Num rompante dirigiu-se ao rapaz, e com uma força anormal para um homem de estatura média e fora de forma, levantou-o e num movimento ríspido colocou-o na cadeira:
– Olha para as fotos, Filipe, olha para este banho de sangue, e diz-me quem fez isto… tu sabes que eu sei que tu sabes!
Filipe limpou o sangue dos lábios e com um sorriso desafiante, sem olhar para as fotos, impressas numas folhas A4, onde alguns cadáveres, femininos e masculinos, prostrados em poças de sangue, ocupavam o tampo da mesa
Esticou a t-shirt com o símbolo da casa Stark, do Game of Thrones, e continuou a sorrir.
-Eu sei que estiveste aqui, disse o detective, apontando para as fotos: – e sabes porque, meu camelo? porque o anel de casamento que falta no dedo deste desgraçado deste jardineiro da Câmara do Porto estava no teu bolso quando te fomos buscar à baixa, meu otário, por isso, vais-me contar quem fez isto, porquê, e que raio se passa na minha cidade, nem que te tenha de arrancar as orelhas!
-Não sabes nada, pois não? disse, com desdém, Filipe: – A noite do Porto está a ferro e fogo e vocês nem sabem o que se passa…
-Sabemos que anda a morrer gente, e que tu e a tua cambada de cybergóticos estão envolvidos, respondeu o Mendes, agastado: – Vou é meter-vos todos na cadeia se não cantas, palhaço.

-Nem imaginas o medo que tenho… ah!, disse Filipe a levantar-se: – e agora que sei que também não sabes nada, acho que me vou embora.
Filipe, num movimento súbito, e com uma velocidade inumana, parte as algemas que prendiam os seus pulsos como se fossem de papel, e agarra o detective Mendes, por trás, na cadeira, empunhando um punhal com símbolos nórdicos junto ao pescoço deste, sussurra-lhe ao ouvido:
-Carneirinho, sabes porque que o prato favorito desta bela cidade do Porto é uma vermelha, fumegante, picante e pujante Francesinha? Ah, ironia, simples ironia, gostarem tanto de algo espesso e vibrante que vos comanda sem saberem…

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A Lua vai nanar

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Num céu de veludo que existia
num sitio um pouco distante
uma lua rosa pequenina e luzidia
brincava tanto, muito e bastante

 

A lua rosa brincava com o mar
e dançava com as estrelas cadentes
saltitava a cantarolar pelo ar
sobre os montes floridos e contentes

Iluminava os namorados
a trocar beijos escondidos
sussurrava aos cansados
que dormiam descontraídos

Mas o grande irmão Sol
já no fim da noitinha
veio em passo de caracol
mandar a lua rosa para a caminha

“Não que nanah!”, disse a luazinha,
já cansada e a bocejar
“Tem de ser, irmãzinha,
agora sou eu a brincar”

E juntando as nuvens bem rosadinhas
numa caminha fofa de algodão
lá deitou o Sol a maninha
com um beijinho, uma história e um xi-coração.

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Balões, ou Ode à Essencia da Humanidade – Capitulo II

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Capitulo II

Matilde acordou com mais uma explosão, que iluminou a noite. A cabeça doía-lhe muito, mas, ao passar os dedos pelos caracóis dourados não notou sangue. “Pelo menos isso…onde estou…” e os seus pensamentos foram interrompidos por mais uma explosão.
A luta dos Resistentes estava a correr mal. Um pequeno ataque a um armazém para recuperar alguma comida e água guardada pelas Máquinas, liderado pelos lideres dos NewSupremacy, era uma armadilha, provavelmente por algum traidor que trocou mais uns dias de vida por uns trocos.
Estavam agora rodeados, e, como sempre, não iriam cair sem dar luta… esse não era o modo dos NewSupremacy, e como tal, rebentou a luta, voaram balas, facas, granadas e os robôs começaram a produzir os seus animais de balões. Fumo, fogo e explosões no armazém… gritos e movimentos de luta por todo o lado. Juntaram-se à luta os Mech, robôs novos, com mais braços e mais rápidos. Ia ser complicado.

Matilde olhou à sua volta e reparou que os seus frascos de elixir de cura estavam espalhados… “já tenho poucos, maldição”, e ao levantam a cabeça para se situar uma visão gelou-a…
“Martim!” gritou, por ver o seu irmão mais novo, numa luta desenfreada com um dos robôs, que o segurava pelo pescoço enquanto tentava enfiar uma flor de balão pela sua garganta.
Martim, no seu camuflado, lutava e tentava chutar o Mech, coberto de balões, que o levantava no ar. As suas armas estavam no chão, a sua katana longe, e Matilde gelou ao ver que o Martim estava a tentar chegar a uma granada que tinha presa em si…

Matilde tentou levantar-se para ajudar o irmão, mas sentiu uma dor lacinante num joelho… gritou e caiu… olhou novamente em volta e, no meio dos fogos, do fumo, da luta incessante que a rodeava, e procurou desesperadamente por algo…
“SALTA, SALTA, SALTA” ouviu, estridente, um grito que veio do ar. Olhou para cima e viu um vulto a saltar de cima de um armário em direcção ao Mech que segurava o Martim, um salto de quatro metros pelo ar. Tudo lhe parecia em câmara lenta até que ouviu outro grito “Miga, preciso do teu punhal, já!”, e Matilde saiu do torpor que estava.
“Raisparta Carolina, sempre a mesma!” gritou a Matilde, com um sorriso, enquanto procurava na sua bota, adornada com um autocolante da Violetta, pelo punhal pedido pela amiga. Encontrou e suspirando fundo, concentrou-se nos seus pensamentos “anda lá Matilde, exactamente como nos treinos” e, com uma precisão inumana lançou o punhal na direcção da amiga.
Carolina, sem olhar, apanha o punhal no ar e aterra como um gato nas costas do Mech. O Mech surpreso afrouxa o aperto que segurava o Martim, e este, com um salto mortal e um pontapé, consegue soltar-se. Aterra perto da katana que rapidamente agarra com a mão direita, enquanto que com a esquerda retira a granada que tem no colete.
Carolina em cima do Mech luta para se segurar, enquanto este tenta agarra-la, com os braços disponiveis, enquanto tenta fabricar uma espada de balão para a atingir. Carolina agarra o punhal com a mão direita e segura-se com os joelhos na nuca do Mech, e com a esquerda arranja uma ranhura entre a armadura de balões…grita “Martim, ainda estás a dormir? Ou vais-me ajudar”. enquanto começa a cortar os fios de controlo do robô.
Martim, com duas cambalhotas, evita a perna do Mech e rapidamente situa-se na virilha do Mech. Com movimentos precisos, usa a katana para separar os balões que protegem um pequena porta na perna do Mech, e em menos de um segundo, abre um brecha e enfia a granada lá dentro. “Salta, miuda”, grita ele, “isto vai aquecer”.
Carolina salta como um gato para o ar e aterra em cima de outro robô, já meio destruido, usando os balões para amparar a queda “Ah, também servem para isto…hummm…sinto saudades dos castelos de saltar”, pensou a Carolina, com um sorriso malicioso.
Martim, com uma velocidade felina, recua para trás de um caixote e observa o Mech a cambalear, descontrolado, a encher balões, e a soltar faiscas da cabeça. Abaixa-se quando a granada explode e observa o Mech a cair e a saltar no chão, ao bater com a armadura de balões no asfalto.

No meio do fumo aparece um jipe, a acelerar e a apitar, e, no lugar do condutor, Matilde acena para os seus companheiros “Rápido malta, que acho que vêm ai reforços”. O Martim salta para o lugar do passageiro, com um ar preocupado “Só perdemos gente e munições…” desbafou. “Não te preocupes, recuperei alguma água e munições, olha lá atrás”, disse a Matilde.
Martim olha para a parte de trás do jipe e assusta-se um pouco quando aterra a Carolina em cima de uns bidões de água. “Isto foi fixola, já limpei mais 3 Mech pra minha conta”, diz a Carolina, enquanto devolve o punhal à Matilde, “isto é teu, Miga”.
“Obrigado”, diz a Matilde, “sabes como é especial”.
“Hey, este ultimo conta para mim… a granada era minha” diz o Martim para a Carolina. “Pfff”, responde esta, “continuas sem querer dividir os brinquedos”, com um sorriso, “vamos mas é para o castelo reunir as tropas”.

O jipe, com os lideres dos NewSupremacy, avança na noite, seguido de uma Transit com mais alguns companheiros… não foi uma grande noite, mas continuam vivos…e isso é bom.

Cenas dos próximos capítulos:

Capitulo III


Martim: “Lembraste deste aniversário?”
Matilde: “Sim o dos balões…o pai bem tentou…”

Carolina: “Já falei com o Rafa, e lá porque ele não sai de casa, não significa que não nos ajude”, diz ela com um ar descontraído. “Bem sabes que o génio é ele”.
Afonso: “Ele a mim não me diz a verdade”, disse, a sentar-se… “Sinto falta da Nóno e do Edu, desde que eles partiram para Espanha”, desabafou.
 …

Capitulo IV


Carolina: “Não sabes o que lhes aconteceu…” gritou ela. “Separamo-nos e foi isso”, disse-o com uma lágrima no canto do olho. “Eles eram os Supremacy, sobreviver era o que faziam melhor”.
Matilde Géminha: “Calma rapariga, temos de ter fé e não nos basearmos em rumores”, disse ela, a pousar a guitarra convertida em sabre no chão.

Olharam, os três, estupefactos, para a maior plantação de arvore da borracha que alguma vez viram, completamente rodeada de cercas laser e com Mechs a guarda-la por todo o lado.

Capitulo V


Martim: “Não, ele foi escuteiro. Se alguém sobrevivia nos montes de Viana era ele” diz ele, nervoso.
Carolina: “Eu sei, eu sei”, reponde a por-lhe a mão no ombro, “se achas que sim, vamos lá ter com ele”
Matilde, com uma lágrima no canto do olho: “Eu também vou…”

 Pedro: “Não, não posso…não sei…eu traumatizei uma criança…e não me apercebi dos sinais…” disse-o, sentado, a olhar o chão.
Martim: “Mas Pai…por favor…” implorou, a procurar apoio nos seus companheiros.

Capitulo VI


Parecia impossível, mas aquela espada preta que não parecia uma espada era mesmo capaz de destruir os balões indestrutíveis. A esperança tinha voltado aos NewSupremacy.

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Balões, ou Ode à Essencia da Humanidade – Capitulo I

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Capitulo I

O ano que corre é o de 2037, e a Humanidade está reduzida a cinzas.
O que parecia impossível a algumas décadas atrás é uma realidade… somos poucos, muito poucos, e sempre a ser caçados e em guerra com as máquinas.
A Humanidade, distraída com os seus reality shows, as suas publicidades, as suas bimbys e os seus jogos de futebol, não soube reparar no crescimento de um mal que nos iria exterminar a todos… as Máquinas, em 2015, aprenderam a usar os balões… foi o início do fim.
Não reparamos no inicio, e os videos nos youtubes e afins pareciam engraçados… “Olha o robozeco a fazer um animal de balões, que giro”
Mas, em pouco tempo, e sem que a Humanidade desse por isso, começaram a desaparecer, com mortes muito pouco suspeitas, todos os palhaços e mimos que faziam animais de balões nas ruas e nas festas de criança.
“É uma profissão em extinção”, diziam alguns… “coitado, deve ter sido depressão” diziam outros, quando aparecia num rodapé de um jornal local que mais um palhaço aparecia estrangulado por uma girafa de balão… e até os vídeos a ensinar a nobre arte de escultura em balões desapareciam, misteriosamente, da Internet.
Em pouco tempo, já não havia quem fizesse animais, ou outras construções, de balões, e a Humanidade não ligou, porque, afinal, existiam as Máquinas para os fazerem… e faziam-nos tão bem, cada vez mais sofisticados, cada vez mais resistentes…  bonitos, novos, esculturas sem igual…
 E foi o começo do fim… a Humanidade notou muito tarde que os animais de balões, quando feitos de determinada maneira, e com determinada borracha (que apareceu, de repente, como por magia), eram praticamente invenciveis.

Surgiram os animais de balões, depois as esculturas de balões, até casas de balões. E naturalmente, apareceram os tanques de balões e por fim os exércitos de balões, que rodeavam as Máquinas que os criavam, tornavam-nas completamente impermeáveis e indestrutíveis. As balas saltavam e faziam ricochete, as facas e as agulhas não conseguiam rasgar a borracha super-dura. Somos atacados e neutralizados sem dó nem piedade… a Humanidade, em pouco tempo, começou a ser caçada… o fim estava à vista…

Caçavam-nos sem misericórdia… sufocavam-nos com os balões, destruíam as nossas casas com as esculturas de balões, roubavam a nossa água em balões… em poucos anos, quase não havia Humanidade…

Mas, como sempre, a Resistência surgiu… e no fundo, no fundo, uma Gotinha de Sonho e esperança aparecia aqui e ali…

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