Poemas

Não me digas

Não digas que me queres 

Não digas que me necessitas 

Não digas que me sentes 

Não digas que me amas 

Não digas… eu sei 

Eu tenho tempo 

todo o tempo do mundo 

para te trazer para mim 

O destino traçou-nos 

E os Deuses assim o querem 

Não digas que estás bem sem mim 

Não digas que és feliz aí 

Não digas que agora estás melhor 

Não digas que não me necessitas 

Não digas…eu sei 

Estarás perto de mim 

Porque ficou escrito no céu 

Porque fugir não é opção 

E esconderes é um vazio 

Não me digas que esperas 

Não me digas que sabes os sinais 

Não me digas que corres para mim 

Não me digas que os teus olhos são meus 

não digas…eu sei 

eu tenho todo o tempo do mundo 

para te fazer minha 

e sermos uma gota só 

um chuvisco fresco 

e digo-te…tu sabes 

Dia Cinzento

Sinto-me num dia sozinho, 

cinzento e amargo 

O dia mais sozinho de sempre 

Sinto-me num dia sozinho 

o dia mais só da minha vida 

Sem brisa morna a tocares-me 

Este dia de ser sozinho 

nem devia existir 

se pudesse apagava-o 

de mim 

Mas é meu o dia 

o dia mais sozinho de sempre 

e sem ti para te contar 

Se não estás 

é porque te foste 

Se te foste 

é porque já não és 

No dia mais sozinho de sempre 

não sei se sobreviverei 

sem ti 

A Lua vai nanar

Num céu de veludo que existia 

num sitio um pouco distante 

uma lua rosa pequenina e luzidia 

brincava tanto, muito e bastante 

A lua rosa brincava com o mar 

e dançava com as estrelas cadentes 

saltitava a cantarolar pelo ar 

sobre os montes floridos e contentes 

Iluminava os namorados 

a trocar beijos escondidos 

sussurrava aos cansados 

que dormiam descontraídos 

Mas o grande irmão Sol 

já no fim da noitinha 

veio em passo de caracol 

mandar a lua rosa para a caminha 

Não que nanah!”, disse a luazinha, 

já cansada e a bocejar 

Tem de ser, irmãzinha, 

agora sou eu a brincar” 

E juntando as nuvens bem rosadinhas 

numa caminha fofa de algodão 

lá deitou o Sol a maninha 

com um beijinho, uma história e um xi-coração. 

Caminhar

Os dias felizes fogem, num correr fugaz e colorido 

Mesmo quando estou em ti, não sei se somos nós 

Para onde fugiu o romance perdido? 

Por onde devo procurar a nossa voz? 

Quando estamos juntos, nunca me ouves… 

Quando estamos juntos, nunca me salvas… 

Quando estamos juntos, nunca me sentes… 

Quando estamos juntos, nunca me amas… 

Como conseguirei caminhar sem ti? 

Estamos tão longe quando estamos perto 

Estamos vivos mas o nosso amor morreu 

Só queria desaparecer no seco deserto 

Recordar um amor que já não é meu 

Quando estamos juntos, não somos nada… 

Quando estamos juntos, não somos os dois… 

Quando estamos juntos, não somos madrugada… 

Quando estamos juntos, não somos corações… 

Como conseguirei caminhar sem ti? 

De joelhos no chão frio, sem apego ao romance 

Sonho com os dias que já foram nossos 

Numa existência translúcida vivida em transe 

Sinto um frio, desejo errante nos ossos 

Caminhar sem ti… 

não… 

Caminhar para ti… 

Levantar-te nos meus braços, rodopiarmos no céu estrelado 

Fazer de ti a minha musa, ter-te sempre ao meu lado 

Escrever-te numa ode à beleza, pintar-te nua numa nuvem presa 

Levar-te ao céu e cantar-te alto um poema…a ti, minha princesa… 

E lembrar-te que juntos, somos mel 

E lembrar-te que juntos, somos carrossel 

E lembrar-te que juntos, somos romance 

E lembrar-te que juntos, temos tudo ao alcance… 

E caminhar contigo… 

Ódio

O teu nome em mim ficou gravado 

Sem nunca ver a tua face verdadeira 

Rasgar-te esse sorriso perverso e imoral 

Destruir o teu rosto cruel, e afogar-te no teu fel 

És uma falsidade que o mundo não vê, e eu não consigo afastar-te 

Vejo o pecado no que dizes, provocando a dor e amargura 

E não sei rezar a Deus por ti, nada de amável me sai 

Não me acredito que já foste inocente, e agora cresceste nisto 

Não me acredito que já foste comum, e num demónio te tornaste 

És podre e eu sei que sabes que és 

És podre e eu sei que sentes o teu sorriso a matar 

És podre e queria por-te um fim 

És podre e em mim ficou o teu nome gravado 

Espero que no inferno haja um lugar para ti 

Ardas, sofras e nada mais possas amar 

Os pecados que fizeste te sejam retornados 

E por fim chores o que chorar fizeste aos amados 

Os teus olhos já não tem luz, e só brilham no egoísmo 

O teu tempo já passou e nada te leva 

Para parares de apodrecer o mundo 

Para finalmente nos deixares em paz 

E quando olhas para ti, não vês o mesmo que eu vejo? 

Porque, oh, porque, não paras de olhar para mim… 

És Poesia…

És Poesia, 

Dança na noite esguia, 

Lampejo que perseguia, 

Amor que só eu via, 

Surtos de paixão que eu sentia… 

E quando já não te teria, 

Sem ti…desaparecia… 

Preenches-me sem demasia… 

Assim…como ardor que desafia… 

Sou teu…tua Poesia… 

Boss 

Todo para ti

Chego cansado de uma jornada incessante, 

O mundo escuro pesa nos meus ombros desanimados 

Procuro-te ansioso para um beijo revigorante 

No ar flutuam mil odores perfumados 

Cheguei… estou aqui.. todo para ti… 

Esperas por mim, lasciva e quente, 

Pensamentos pecaminosos, num estado febril, 

Olhas para mim faminta e ardente 

Queres o meu corpo, com sensações mil… 

Cheguei… todo para ti… 

Encontro-te num lençol carmim 

Jocosa e desafiante, não olhas para mim 

O desejo nasce e cresce, num rodopio sem fim 

Tu e eu nus, corpos num frenesim 

Todo para ti… 

Uso o teu corpo quente para meu prazer 

Tiras tu de mim o teu orgasmo devido 

Beijo-te e toco-te e levo-te a desfalecer 

Em mim ficas numa comunhão sem sentido 

Para ti… 

Miss You…

Fomos na noite um rodopio de luz 

dançando na escuridão iluminada pelo desejo 

éramos sombras, fugazes, longas, transparentes, 

juntos reinamos na fuga à noite eterna… 

Éramos noite de luar que não terminava 

um eterno lusco-fusco de prazeres malditos 

um jorrar de sorrisos cúmplices e sinceros 

numa correria etérea pelas nossas ruas sombrias 

Mas tu partiste… 

Miss you… 

Agora és apenas uma voz quente nos meus sonhos 

que chora, que grita, que clama, que ama… 

uma voz que me mata, que me afasta, que me domina… 

és a voz que me enlouquece… 

Agora és uma sombra que me entristece, 

a luz fria que não me ilumina, 

a comida que me envenena, 

a saudade que me desvaira… 

Miss you… 

Salvação…

Estou perdido em ti… 

Perdido nos teus olhos de mel, acesos com o calor que nos rodeia, 

Desespero quando olhas para mim, fazes-me enlouquecer, 

Tão perdido, no fundo do nada com uma luz que me encandeia, 

Sou um medo de te perder e mais nada ter… 

Estou perdido em ti… 

Tão profundo, tão escuro, não consigo dormir, 

Penso em ti, preciso de ti, sem pensar em mim, 

Estou sem forças, para lutar ou fugir, 

Deste sonho etéreo, desta batalha sem fim… 

Estou perdido em ti… 

Estou cego de amor, numa sala sem luz, 

Afogo-me no teu carinho, do amor que me enlouquece, 

Caiu nos teus braços, no teu colo que me seduz, 

És ardor sem dor, numa teia que o amor tece… 

Estou perdido em ti… 

e em ti tudo encontro quando me perco… 

Nu de Espada

Procuras em mim o guerreiro que lês nos teus romances 

Queres que seja forte, imortal, belo e sedutor 

Precisas que, na tua ilusão, te salve todas a vezes 

Que em perigo te pões, sem nunca ligares à dor 

Queres que guarde a tua alma 

Fique de guarda ao teu destino 

Sempre atento na manhã calma 

Um sentinela feroz e felino 

Necessitas de mim nu e inocente 

Com a armadura da minha pureza 

Ser o teu salvador reluzente 

Que te transporta com força e destreza 

Pois bem, estou sempre aqui 

Nu de espada para ti 

Serei sempre o teu guerreiro, o teu amado 

Que te salvará do teu triste fado 

Juntos seremos no infinito apenas um 

Numa aventura eterna e nua 

Não temeremos inimigo algum 

A minha espada nua será, com amor, tua… 

Silencio

Silêncio cruel que me matas o ser 

Ter vida sem a ter 

Não falar sem perder o estar 

Silêncio cruel que cegas o luar 

Silêncio cruel que me domina 

Perturba a alma e me fascina 

Quero matar-te com um grito puro 

Silêncio cruel que crias o coração duro 

Silêncio cruel que me afundas 

Recordas-me cicatrizes profundas 

És o pior do meu ser 

Silêncio cruel que sem ti não sei viver 

Pelo menos tentamos

Acabou…quando te disse esta palavra choraste 

Os teus olhos de cristal cresceram com as lágrimas luzidias 

Encostaste ao chão, tremeste e de raiva gritaste 

Gritaste que não me querias ouvir, mas sabias que as palavras não eram frias 

Podia-te dizer muitas mentiras tolas (…mas não digo) 

Que a culpa era toda minha e não tua (…e é toda minha) 

Que ficarei teu amigo (…e tu bem sabes que não fico) 

Que teria outro amor (…mas sabes que só a ti te tinha) 

Mas só te disse, sem mentir e sem desencanto 

Acabou…mas pelo menos tentamos 

A paixão foi quente e arrebatadora, rápida e sem demora 

Iludiste-te com a sinceridade da minha calma, com a frágil luz da minha alma 

Com os meus gestos cuidados e os toques carinhosos 

Com a minha voz colocada e os meus suspiros afectuosos 

E agora, foi com ela que ouviste, o que te feriu como uma lança maldita 

Acabou…mas pelo menos tentamos 

Disse-te que tinha cicatrizes tatuadas na minha alma ferida 

Que nunca seria teu para ficar, como nunca serei único e meu 

E tu aceitaste, na ilusão de me curares e me dares guarida 

De curares os meus males e tornares o meu coração o teu 

Fizeste tudo e foi bonito, mas sem perdão ouves o clamor do fim 

Acabou, mas pelo menos tentamos 

Princesa…

Que me fizeste tu, linda princesa 

que me fizeste enlouquecer? 

Que me fizeste tu, linda princesa 

por quem me apaixonei ao anoitecer… 

Que me fazes tu, linda princesa 

com esses olhos de mel e esse sorriso de flor? 

Que me fazes tu, linda princesa 

ao me ensinares a descobrir o amor… 

Que me farás tu, linda princesa 

quando a luz no fim do túnel me quiser? 

Que me farás tu, linda princesa 

se levar o teu amor comigo ao morrer… 

Reflexo solitário

Tenho medo… 

Olho para mim sem cor e fico desolado e em terror, 

Não sou belo nem bonito, olho para o meu rosto e grito, 

Quero sair daqui, deste medo… fugir de ti, de mim, saltar do penedo, 

Estou feio e vergonhoso, triste e não fogoso… 

Tenho medo… 

Olho o espelho embaciado, vejo um rosto sujo e carregado, 

Um reflexo que me diz, és triste e quiçá infeliz, 

Detesto-me sem piedade, sou um derrotado sem verdade, 

Apago a luz e choro sozinho, lágrimas tontas que caem no caminho… 

Tenho medo… 

Um negro manto cai sobre meus ombros, 

solidão pesada que me desfaz em escombros, 

grito para o espelho que nada responde, 

pergunto-lhe o que tão sombrio me esconde… 

Tenho medo… 

Vejo aquele pateta triste e desolado, 

que chora ao ver-se só e em pecado, 

geme baixinho com a sua dor, 

só quer crescer e encontrar o amor… 

Tenho medo de não encontrar o amor 

de sozinho olhar sempre o espelho e desesperar na dor… 

Tenho medo de um dia acordar 

e de sozinho continuar a chorar ao luar. 

Traição

Quero rasgar-te os olhos do teu rosto podre… 

Matar-te tantas vezes que não existam cemitérios no mundo para te enterrar. 

Destruíste-me sem pensar duas vezes… 

A minha alma foi um monte de cinzas que espalhaste ao vento… 

Implodiste o meu mundo como se fosse um castelo de cartas… 

Puta… 

Aquele era o nosso lar, ali viviam os nossos filhos… 

Tenho nojo de lá entrar, sinto os vossos cheiros no ar… 

Quero deitar aquilo abaixo e apagar-te da minha vida… 

Pegar fogo à casa e queimar-te a ti e a ele lá dentro… 

Matar-te mil vezes e apagar a tua existência da minha memória… 

Puta… 

Dizes que me amas e me queres, 

que tudo foi um erro sem valor e sem sentido, 

estavas confusa e perdida, com a mente perturbada, 

que ele nada é para ti, um corpo e nada mais… 

Puta… 

Cada gemido teu, uma facada no meu coração, 

Cada grito de prazer teu, um murro no meu rosto, 

Cada caricia entre os dois, um pontapé no meu peito, 

Cada orgasmo, uma bala na minha cabeça… 

Puta… 

Espero que morras sozinha, 

Espero que te desfaças no vento, 

Espero que apodreças no éter, 

Espero que sofras o que sofri, 

e morras sem nunca mais seres feliz… 

Princesa…

Que me fizeste tu, linda princesa 

que me fizeste enlouquecer? 

Que me fizeste tu, linda princesa 

por quem me apaixonei ao anoitecer… 

Que me fazes tu, linda princesa 

com esses olhos de mel e esse sorriso de flor? 

Que me fazes tu, linda princesa 

ao me ensinares a descobrir o amor… 

Que me farás tu, linda princesa 

quando a luz no fim do túnel me quiser? 

Que me farás tu, linda princesa 

se levar o teu amor comigo ao morrer… 

Sonhei contigo outra vez

Lá estavas tu, nua e sofrida, sem desejo e dorida, 

Procuravas o amor incessante, paixão voraz e inconstante, 

Sem mágoas perdias a dor, fugaz sentimentos sem cor, 

Querias o amor e sonhavas voar, querias a minha alma e eu sem ta dar… 

Sonhei contigo outra vez… 

Longe, longe, longe… 

Eras um ponto de luz na noite escura e fria, por onde descalça e nua ao longe te via, 

Um sarrabisco de giz no quadro negro e sedoso, um grito constante num chorar nervoso, 

Eras uma flor que nascia sem cor… 

Querias amor e eu sem to dar… 

Sonhei contigo outra vez… 

Vi-te lá, quase sem te ver…querias mais e eu sem querer… 

Eras chuva que molhava o tolo, maquina fotográfica que disparava sem rolo, 

Gritavas sem voz num luar sombrio, desejavas o meu toque para afastar o frio, 

Querias o meu corpo e eu sem to dar … 

Sonhei contigo outra vez … 

mas quem te queria era eu… 

Deixa-me Morrer…

deixa-me só… 

prefiro a escuridão molhada das minhas lágrimas à tua luz doentia… 

amo-te um amor sem limites, 

uma paixão que dilui a minha alma em gotas de sacrifício… 

amo-te 

sem perceber os limites do teu ser, 

sem perceber que és a dor doentia de um luar sem lua, 

sem perceber porque que és a imagem que nasce no meu acordar e não morre no meu sereno adormecer, 

Mas tu não me deixas morrer… 

brincas a desfazer os meus sentimentos como uma criança desfaz uma teia, 

sem quereres saber da minha dor, do meu choro, do meu coração… 

para ti sou um brinquedo que te distrai … 

usas-me, abusas-me … 

sou o que te faz feliz por ser teu, todo teu… 

quando nada me dás em troca, quando apenas te queria a ti… 

Mas tu não me deixas morrer… 

destróis a minha alma com os teus risos … gozas com o que sinto … 

só queres o prazer que teu dou, desfeito a teus pés … 

preciso de ti, vivo por ti … só sou eu quando estou contigo … 

choro rios de sangue que desaguam em lagos repletos de desespero… 

não consigo mais, 

Mas tu não me deixas morrer… 

não vás

Doi-me o coração. 

Uma dor intensa que começa na ultima lagrima que derramei… 

desculpa… 

não te quis magoar… 

Fui eu que nas sombras da escuridão gritei bem alto o teu nome enquanto partias para o infinito… 

não vás 

não vás 

Quero o teu cheiro em mim, o teu suor no meu beijo… 

não vás 

Mataste-me com a tua morte … 

não vás 

Porque serei um triste… choro por ti … dá-me um sinal … leva-me para longe da dor … 

Porque não consigo morrer… 

não vás

A tua boca

Tanto prazer e tanto pecado… 

tanta dor e tanta tristeza… 

beijos lindos, palavras de mel… 

doces prazeres escondidos… 

fazes-me feliz, fazes-me sentir um calor que me conforta sem queimar, que me faz sorrir sem motivo… 

com a tua boca… 

levas-me ao céu… 

e quando queres trazes-me à dor… 

à dor desta realidade que não quero ver, que não quero viver, que não sei como agir… 

às vezes, “nothing hurts like your mouth… mouth… mouth” 

Assim disse Bush: 

You gave me this 

Made me give 

Your silver grin 

still sticking it in 

You have some machine soul machine 

Soul of Machine 

The longest kiss 

Feeling furniture days 

Drift madly to you 

Pollute my heart; Drain 

You have stolen me 

broken me 

stolen me 

broken me 

All your mental armor drags me down 

nothing hurts like your mouth 

Your loaded smiles and pretty just deserts 

Wish it all for you 

So much it never hurts 

You have soul machine 

Stolen me 

all your mental armor drags me down 

We can’t breathe when we come around 

All your mental armor drags me down 

nothing hurts like your mouth 

We’d been missing long before 

never found our way home